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OS PERIGOS DO PODER
Não existe nada de mais torpe e inútil do que as disputas humanas sem fim que levam muitos indivíduos (tratados como estatísticas num jogo perverso) a guerras e a tantas atrocidades inimagináveis. Na dinâmica do poder, os fins justificam os meios, criando um sistema de valores que perpetua uma guerra de todos contra todos: uma selvageria que invade as entranhas de nossa civilização globalizada pela violência. Nada revela, portanto, o lado mais desprezível da humanidade do que ver pessoas movidas por interesses escusos e sombrios que fazem com que as boas amizades sejam esquecidas e os laços de sangue passam a não valer mais nada. Quando o poder a qualquer preço está em jogo é bem provável que se esgote qualquer aptidão à benevolência, à amizade e a boa convivência. E assim acaba qualquer possibilidade da vida pacífica em sociedade, embora haja um acirramento da petulância do sistema e a burocratização cada vez mais acentuada da vida, na qual condiciona uma massa amorfa de seres ignorantes e desconhecedores do autocontrole, da temperança e da abertura do diálogo com o diferente.