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Poesias, ensaios e reflexões de Alessandro
O segredo da existência humana reside não só em viver, mas também em saber para que se vive. F. D.
Textos

POESIAS SELECIONADAS (2025)

 

1-A EXPRESSÃO DA MINH'ALMA

Minh'alma é misteriosa como o arrebol

E clara como as límpidas nascentes

Seguindo o seu fluxo no caminho onde o sol

Brilha ainda mais forte com seus raios incandescentes.

 

Eu carrego no meu íntimo o cheiro da saudade

E o gosto do vinho da mocidade.

Ao mesmo tempo eu me projeto para o porvir

Criando no agora o sentido do que é existir.

 

Eu vivo em mim jornadas inteiras

De devaneios, sonhos, alegrias e glórias,

E de perspectivas visionárias e altaneiras

Quando eu posso admirar as minhas internas vitórias.

 

Eu sou o verde das árvores, outeiros e prados:

Cheio de reflexos de esperanças na liberdade

De pensar, criar, sorrir, amar, viver sem enfados...

Eu vivo para sentir o gosto de uma doce novidade.

 

Guardo em mim os hábitos simples e rústicos

Das vidas monásticas, das vidas silenciosas.

E possuo em mim a leveza das melodias e acústicos

Que simbolizam o despertar das manhãs mais saudosas.

 

Na minh'alma, há profundezas como no alto mar

E uma jovialidade como o canto das aves diurnas.

Mas também sou como um ancião no seu calmo peregrinar:

Às vezes, sem pressa para bem vivenciar as horas oportunas.

 

2- FIM E RECOMEÇO

O fim que às vezes sentimos

Geralmente não é o fim de tudo...

Muitas vezes ele é apenas a chance do recomeço:

Talvez para desmistificar ou reescrever.

 

Esse recomeço pode ser como a copa das árvores,

Cujas folhas se renovam após o inverno

Ou como a manifestação do arco-íris

Depois de um temeroso temporal.

 

O fim pode ser o caminho à redenção

Já em marcha quando não conseguíamos ver

Que através de uma morte passageira

Poderíamos ainda, milagrosamente, contemplar

O sol do amanhecer

Ou uma noite de luar e estrelada.

 

Não podemos morrer

Quando a esperança é invencível

Mesmo quando choramos

Com os olhos da alma do poeta

Ou quando desfalecemos no sono

Naqueles instantes mais invernais da vida.

 

Às vezes, o fim que era inevitável

É a oportunidade de uma nova história,

Uma história com todos os seus desafios

E no coração a chama da perseverança

Em prol do que dá significado à existência.

 

O fim de uma situação

Pode ser o início de mais liberdade

Para um viver criativo.

 

E mesmo a dor que parecia nos consumir,

É a mesma que podemos ouvir

Para compreendermos melhor a verdade

Dos grandes porquês e do sofrer.

 

O fim, enquanto temos vida, é sempre abertura

Para uma nova referência e ponto de partida.

 

3- ENCONTRO DE NOSSO AMOR

No encontro de nosso amor

Eu vi o brilho do teu sorriso.

Na expressão de seu olhar enxerguei o valor:

A minha segurança, ternura e abrigo.

 

Em dias frios eu quero me aconchegar

Nas asas de nossa paixão

Como um rio que desagua no mar

E propicia o gosto da imensidão.

 

Com o sabor do teu perfume

Eu criei em mim o costume

De reviver a memória dessa inesquecível presença

 

O nosso encontro é o melhor da poesia

A inspirar a linguagem que contagia:

O sentido do que é ser feliz como o sol que se adensa.

 

4- O AMOR E A SAUDADE

A saudade é um oceano com sua vastidão

Onde o seu eco faz suspirar o coração,

Mas certamente das lembranças do amor

É possível que brote todo aconchego e calor.

 

Em cada lugar o brilho de um sorriso.

Em cada canto revivido

O perfume que inspirou o que é amar

Com sua verdade e seu despertar.

 

Em cada lembrança

Uma dor e ao mesmo tempo uma esperança,

Além da falta do que fez regozijar o nosso ser.

 

Da doce saudade nasce a ânsia do reencontro...

É nessa busca que nos reaproximamos do outro:

Ainda mais forte que a distância e o esmorecer.

 

5- AS FACES DO AMOR

O amor é a lareira que aquece

A frialdade do vazio da existência

E em face das trevas nos esclarece

Para a revelação da verdade e sua essência.

 

É do amor a vinda do dia pleno

Irrompendo sobre a noite e sua solidão.

Eis que vem o seu alvorecer supremo

A fortalecer a integridade em nosso ser.

 

O amor é paz; é a própria benignidade

Que traz a tão almejada liberdade

A redimir das mazelas a própria vida.

 

O amor é sacrifício; é, por fim, a compaixão

Que, de forma generosa, estende a mão

Em prol de uma alma descrente e ferida.

 

6- UNIDOS EM AMOR

Ensina-me a lidar melhor com os revezes do tempo

Como também a esse respeito ensinar-te-ei;

E, através de nosso folego de vida,

Significarmos o que realmente importa.

 

Ajuda-me o viver o nosso amor

De uma forma perene e eterna

Enquanto possamos superar as mortes de cada dia

Para coroar a verdade de nosso elo.

 

Amar um ao outro, apesar de tudo...

Amar um ao outro com toda força de alma...

Que sejamos perseverantes

Para vencer de tempos em tempos

As aflições e as dores

Que porventura cruzem o nosso caminho.

 

Mostra-me como vale a pena

Lutar ao seu lado.

E então mantermos a chama acesa,

A chama de um amor verdadeiro e reluzente

Como as estrelas que fulguram

Até os confins dos céus na madrugada.

 

7- O VERBO AMAR

Amar integralmente é um ato desinteressado

Que, de forma milagrosa, está presente no coração

Dos homens que se santificam em oração.

Amar é um ato que está sempre arraigado

Nas profundezas de um ser inspirado

Pela sabedoria dos gestos de amizade

E pela beleza de uma vida em liberdade.

Amar é a ação mais lúcida e perfeita

De alguém que soube semear uma colheita

Inesgotável de ternura e de solidariedade.

 

Eu não amo somente porque sou amado,

Mas porque essa arte me regozijo em partilhar.

O meu amor só é capaz de edificar

Quando ele sinaliza o caminho do elevado

Para um ser socialmente desprezado.

Eu amo porque sei pelo perdão me erguer

Após uma decepção ter tentado me esmorecer.

Ainda que me fira com tantas palavras lacerantes,

Não deixarei findar as brisas refrescantes

Desse amor etéreo que ainda ressoa no meu ser.

 

8- QUANDO QUASE NADA MAIS FIZER SENTIDO

Quando não tiver mais vivências para partilhar,

Quando não tiver forças para de pé me manter,

Quando não houver mais um futuro para sonhar,

Que em mim ainda haja amor para não morrer.

 

Quando ninguém mais puder me inspirar confiança,

Quando a luz do dia houver se convertido em escuridão,

Quando os sofrimentos ameaçarem a minha esperança,

Que em mim ainda prevaleça o amor no meu coração.

 

Num dia em que quase nenhum ser humano

Puder se compadecer com a dor de seu semelhante,

Que ainda possa viver da poesia de um amor soberano.

 

Num dia em que a fatalidade for mais fulminante

Sobre a humanidade ensandecida no caos do engano,

Que eu viva ainda na glória de um amor exuberante.

 

9- PÁSSAROS SEM GAOILA

Os céus são o seu refúgio.

A natureza é o seu templo.

A coragem e o amor estão no alçar

De suas asas rumo ao desconhecido.

 

Entre o pouso e a ascensão

Existe algo de especial

No movimentar de suas asas e de seu ser:

É a própria graça de ser livre

Para descer e se erguer,

Para nascer e renascer

Na luta de cada dia.

 

O seu canto existe mais vibrante sem tais prisões.

Ele abençoa os nossos sentidos.

Ele inspira o amor dos apaixonados.

Ele ecoa pelos amplos horizontes

Até o fim de um longo dia.

 

Os céus são a sua transcendência.

A natureza a sua morada e o seu arado

Para trabalhar nos seus sonhos instintivos.

O amor e a coragem estão no seu lindo canto,

Encantando toda a vida ao seu redor.

 

Os seus voos são livres agora.

Eles trazem uma grande alegria ao sonhador.

Eles ensinam a essência

Do que é ser a sua própria natureza.

 

Sob o aconchego de um fim de tarde,

Dentro de um ninho seguro,

Uma família na unidade do seu amor

Vem ali repousar,

Para que no outro dia

Um canto mais sublime

E um voo mais alto

Formem, depois de estar recomposta,

Um excelente recomeço.

 

10- POESIA DO ENTARDECER

Há poesia no sol que se põe,

No panorama de um vasto horizonte

Que remete a saudade e a despedida,

Mas também ao silêncio

Do recolhimento e do intimismo.

 

O entardecer inspira lembranças

De minha vida na juventude

E do meu ser na tenra idade.

Ele produz um sonho maravilhoso

A se propagar no meu coração.

 

Nesse formoso e onírico cenário,

Onde as aves sobrevoam os confins

Repleto de luzes e sombras

(Um coro primaveril e agradabilíssimo!)

Eu posso sentir uma profunda inspiração

Que jamais poderá me deixar

Na condição de indiferente e entediado

Ou de insatisfeito e atribulado.

 

Antes, me faz refletir na beleza

De tais visões harmoniosas,

Principalmente porque posso contemplar

A magnitude da criação

E o mistério que paira com a presença

Desse encantador e glorioso fenômeno

Chamado arrebol.

 

11- JANELA DA ESPERANÇA

Num certo dia, após a tempestade, abri a janela

Para ver o que de belo podia presenciar.

Foi então que descobri uma alegria singela

Perfumando os ares com o seu propagar.

 

Um cheiro de grama molhada

Num fim de tarde se propagou...

Da esperança descortinada

Encontrei o suprassentido que me inspirou.

 

A vida sorriu para mim com o seu melodioso canto

E a morte de todos os dias esmoreceu

Juntamente com a escuridão das ruas em pranto

Pela vinda da esperança que enfim apareceu.

 

Pude degustar o frescor aprazível do vento

E tatear com o coração a sonata dos seres alados

Em comunhão pelos céus no intento

De trazer junto com o arrebol sonhos inesperados.

 

Pela janela de uma nova vida, um mundo renovado

Ressurgiu como uma primavera ainda mais formosa

Com tantos tons e cores para o meu ser entusiasmado

Na contemplação dessa aurora deleitosa.

 

Uma infância secreta despertou do seu sono

Para propiciar as suas doces fragrâncias de jovialidade

Na minh'alma que hoje voa pelo entorno

De um porvir a desfraldar uma via de liberdade.

 

12- A FLUIDEZ E EVANESCÊNCIA DA VIDA

Em tudo o que fazemos

Há uma sensação de transitoriedade.

Um processo recém-inaugurado

Já traz em si o germe do inevitável:

A sua inclinação para se findar e se consumar,

Abrindo espaço para novos percursos,

Como um caminho que não tarda

A ser completamente descortinado e percorrido.

 

Não há nada nesse mundo

Que se mantém perpétuo e fixo,

A não ser a perpetuidade da evanescência.

Estamos todos vulneráveis

A fluidez do efêmero e do passageiro.

Vivemos assim uma quimera

Justamente porque a qualquer hora

Iremos já não ser.

 

O que construímos é apenas

Um fragmento semeado no tempo,

Pois em tudo se revela

Os sinais do envelhecimento e da mutabilidade.

 

Não podemos entrar duas vezes

No mesmo rio, já dizia Heráclito.

E tal como o próprio rio:

Fluímos enquanto é possível durar.

 

A cada dia uma parte de nosso ser se transforma

E nos movimentamos de forma incessante

Nessa temporalidade.

Participamos todos de uma perene mudança

Até o fim de nossos dias na terra.

 

Viver é antes de mais nada uma preparação

Para a apoteose do fim de nossa existência.

Somos também como uma chama numa vela:

Fluindo com sua combustão, verticalmente.

Como a vida, ela aos poucos se consome e se extingue

Juntamente com a sua exuberante luminosidade.

Alessandro Nogueira
Enviado por Alessandro Nogueira em 10/01/2025
Alterado em 10/01/2025
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