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O QUE NOS RESTA?
E o que nos resta
Após um mundo sob as ruínas
Das grandes guerras,
Da fome, da morte e da suspeita dos gestos de união
Entre os homens de boa fé?
O que advém e nos resta
Após os escombros de uma civilização
Que já perdeu o senso da solidariedade e da justiça
A nos assegurar de toda forma de barbárie?
O renovo da esperança?
O grito da revolta?
A ação quase impraticável numa sociedade
Adoecida pela apatia e pela indiferença?
Ou simplesmente o retorno à pureza pura e singela
Num tempo onde já não se fala
Em nada de mais elevado?
O que nos resta
Quando quase mais ninguém se abre
Para a verdadeira comunhão entre os seres?
Começarmos por nós mesmos,
Na contramão de um mundo caduco e em declínio?
O que nos resta
Quando a única forma de viver
É A sobrevivência na selva hedionda
De uma sociedade anêmica e decadente?
Sobreviver como forma de adequação
Ou manter a integridade
Que já não aceita as farsas de todos os dias?
Eis aqui as grandes questões
Que até o fim dos dias
Cintilam nos melhores corações
Que ainda não morreram
Para a depravação e à desumanização da vida.
Na fratura de nosso ser
Vivemos cada um de nós
Que não deixou apagar uma consciência lúcida e desperta.
Recuperar o que deveras pode ser restaurado
Entre tantos escombros de um mundo vacilante:
Eis o caminho a ser descortinado,
Mesmo com tantos entulhos e entraves
Obstruindo qualquer passagem tranquila.