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DESPERTAR POÉTICO E FILOSÓFICO
Foi com a leitura dos livros dos poetas, romancistas e livre-pensádores, entre eles Cioran, Kierkegaard, Schopenhauer, Unamuno, Rilke, Dante, Vitor Hugo e Dostoievski, que consegui suportar o tédio da vida, as angústias, a solidão e a ausência de sentido existencial, mantendo muitas vezes uma postura de ressignificação com o acréscimo de novas ideias e perspectivas frente ao inevitável.
Nada melhor para nos despertar do sono das ilusões do que os inumeros aforismos (alguns tão inexoráveis em sua revolta!), bem como algumas reflexões que nos ensinam sobre as incongruências e a fragilidade de nosso existir. E, ademais, nada melhor do que a poesia para propiciar a beleza que ainda pode restar em nossa alma em contato com o que há de sublime e igualmente belo no mundo.
Ao mergulhar intensamente nos aforismos, versos e fragmentos de ideias, pude me identicar com as vivências e as crises dos grandes pensadores e poetas-líricos. Ao mesmo tempo, tais seres me inspiraram a elaborar as minhas próprias reflexões sobre a vida e os meus próprios desencantos e melancolias ao sabor das inúmeras poesias, reflexões e sonetos que produzi ao longo da minha existência, imergindo em minhas divagações, e me elevando nos voos de cada poesia escrita e reescrita.
Hoje percebo da importância de, assim como alguns fizeram no passado, falar sobre tudo... não só das minhas esperanças e de minha fé, mas também dos meus desesperos, desanimos e aflições, dando a medida mais fiel de quem eu sou em profundidade. Pois o que posso melhor expressar de mim senão os meus paradoxos que me ensinam cada dia mais a ser um escritor que busca sempre falar sobre os meandros da alma e do coração?
Amo apreciar a solidão, porém a presença do amor de outro ser não deixa de ter o seu valor no meu ser. Não suporto muitos aspectos da vida social, no entanto o diálogo mais abissal com meu semelhante (que é sempre tão distinto) me faz brilhar de emoção; dá as vezes um certo arroubo de contentamento e entusiasmo. Busco, outrossim, falar de minhas dores e, muitas vezes, sob a tenacidade de seu jugo, acabo por me convencer da fatalidade do inevitável como um bravo estoico; mas, ainda assim, jamais deixarei de reconhecer as singelas alegrias (temperadas de saudosismo) como fundamentais para a verdadeira felicidade do ser.