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BUSCA DE LIBERDADE
Todo processo histórico nos determina e aflige com seu fatalismo, uma praga que infesta nossa consciência sobressaltada pelos últimos acontecimentos. Somos vítimas do processo histórico, já dizia o pensador Cioran. No entanto, temos apenas ao nosso dispor o recurso da liberdade que nos torna mais esperançosos em nosso devir, ainda que o sistema social não nos deixa quase nada que possa nos dar um mínimo de dignidade. A liberdade vem a ser muito mais do que fazer o que bem entende. É, antes de tudo, a nossa coragem em não vender a nossa integridade. Prefiro essa liberdade criativa e individual da solidariedade (que nos aproximaria do amor divino) do que a mera conquista do processo histórico nas mãos de homens revolucionários que ajudam na consciência das civilizações e seu progresso. Ser livre é ser íntegro e responsável pela nossa própria vida, mesmo que tudo ao nosso redor nos arraste na ignorância da brutalidade do espírito por intermédio de tantas distrações, futilidades e inconsistências. A nossa própria consciência, que nos torna mais sábios a respeito de nossa condição e sofrimento, é ainda a chance de não nos entregarmos ao império do coletivo e a torpeza dos que nunca sabem dos perigos de viver nessa caverna social cheia mentiras e ilusões. A busca da liberdade não é algo que se prova, mas sim algo que se vive de forma ardorosa e apaixonada. É uma busca incessante, principalmente quando somos a todo momento tentados a comercializar nossa dignidade e alguns resquícios de pureza que pode nos tornar seres humanos melhores (de uma qualidade ética mais propícia ao diálogo com nossa sombra) em face do caos da vida quotidiana.