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A CONSCIÊNCIA E O DISCERNIR
Já nascemos fatalmente moldados por crenças e pelos costumes de nossa cultura, a crer em algo que a priori não somos capazes de questionar e a refletir. Com o tempo, ao sentirmos o coração latejar devido às fraturas da alma, aprendemos a pensar em nossa condição e no mundo a nossa volta, munidos de um conhecimento prático acerca dos grandes revezes aos quais estamos sujeitos ao longo da vida.
O nascimento da consciência não vem antes sem uma chaga de sofrimento com a chegada das angústias e das aflições lancinantes. No entanto, essa condição não deixa de ser libertadora, principalmente por nos tirar do conformismo dos que em nada se revoltam e também quando aprendemos a nos desvencilhar da opinião dos sensos comuns de indivíduos que pouco vão a fundo nas suas próprias questões existenciais.
Estranhamente, uma satisfação toma conta de nosso ser quando descobrimos o que somos, como somos e quem somos; descobrimos, ademais, todo o vazio ao nosso redor com as promessas frivolas de glamour, fama e status social. Esse discernimento é o que dá impulso para livre-pensar que não se detém com as descobertas dos grandes porquês da vida.
É também uma alegria por chegarmos às vias de um saber profundo sobre a existência, de modo que passamos a não esperar mais nada dessa vida que seja proveniente de ilusões e futilidades.
A partir daí, passamos a olhar para além desse véu de enganos que encobre a existência dos seres humanos presos numa rotina estafante e sem sentido. O desejo de discernir desperta a coragem para ir além do que não leva a lugar algum e ao mesmo tempo propicia lampejos de sabedoria para um viver mais salutar e lúcido.