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A VIDA E A MORTE
Vivemos desde o nascer
Entre a vida e a morte,
Entre o ser e o não ser,
Entre o choro e o riso,
Entre a luz e as sombras.
Somos o caminho onde confluem
A dor intensa da falta
E o gozo momentâneo da plenitude.
Em nós habita a centelha da promessa do eterno
E a consciência ferida da derrota no perecível,
Enfim, vivemos entre o o tudo e o nada.
A nossa existência passageira gera em nós
O sentimento do efêmero e da mutabilidade.
Mas, com muito esforço sonhamos
Enquanto olhamos para a janela
De nossa vida anímica
Que nos dá o estranho sentimento
Do infinito, do indelével, do perene.
A vida e a morte em cada um de nós
Mostra como somos constituídos
Para ferir todo nosso orgulho
E também nos revela o que realmente somos:
Um mosaico de opostos e de ambivalências;
Um universo de conflitos e de caminhos de criações;
Uma constelação de desejos e de esperanças.
A nossa vida é a frágil flor que desabrocha
E a morte, por sua vez,
É a noite sem luar para o nosso sono eterno.
Vida e morte: eis implacavelmente as duas instâncias
Que se conflagram e lutam em nosso ser.